No coração do Morumbi entre os paredões mais luxuosos do Brasil, fica a favela Paraisópolis. Uma “cidade” com mais de 80 mil habitantes, em sua maioria nordestinos ou filhos de nordestinos. Essas famí­lias fugiram da fome e o desemprego do sertão nordestino, na esperança de conseguir melhores condições de vida, através de um bom emprego, educação de qualidade para os filhos e parentes.
Contraste Paraisópolis x Morumbi
Os objetivos que motivaram a vinda para São Paulo não foram alcançados, devido ao crescente desemprego, ao alto custo de vida das cidades grandes, e  falta de instrução e moradia, levando-os a invadirem terrenos construindo barracos de maneira rudimentar em áreas de risco. Essa foi uma das saídas encontradas pelos pais de família para dar um lar aos seus filhos. A falta de perspectivas e condições de vida levou Paraisópolis a ser a 2ª maior favela de São Paulo e a 5ª do Brasil, com 21.000 domicílios e 80.000 habitantes.

Os moradores enfrentam uma superposição de problemas sociais, tais como desemprego, violência e gravidez na adolescência, devido as poucas oportunidades educacionais.

A população de jovens representa 31% do total dos moradores de uma comunidade onde há um grande déficit de vagas no ensino básico, não há nenhuma escola técnica, nem universidade pública e 6.000 crianças estão fora da creche, não permitindo que a mãe possa trabalhar ou estudar.

Paraisópolis fica encravado no meio de um dos bairros mais ricos de São Paulo, o Morumbi. Olhamos um prédio, onde o apartamento vale cerca de três milhões de reais, e um barraco de madeira construído na calçada. A visão denuncia os contrastes e contradições de nossa sociedade. O Paraisópolis mostra as grandes diferenças sociais que existem nesta cidade.

No entanto em 1983 um grupo de moradores entendeu a necessidade de se organizar para lutar por melhorias na comunidade. Um passo foi dado para transformar Paraisópolis em um local melhor para se viver. Foi fundada a União dos Moradores com a missão de proporcionar melhores condições de acesso à  cultura, lazer, educação, saúde, emprego e habitação para esta comunidade.

Pesquisas públicas mostram que o número de pessoas analfabetas atinge mais de 24 milhões de brasileiros, inibindo o desenvolvimento social, humano e econômico. Assim como mostra pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 40% da desigualdade social do Brasil provém da diferença educacional. Em Paraisópolis são cerca de 15 mil analfabetos ou semi-analfabetos, como mostra o cadastro realizado em 2005 pela Secretaria de Habitação, muito acima da média da cidade que é de 4,88%, segundo a Prefeitura Municipal.

Isso significa, acima de tudo, que milhares de pessoas convivem com limitações que dificultam o seu desenvolvimento, sua vida e o bem-estar de suas famí­lias. Estes brasileiros são trabalhadores que não deixam de lutar. A falta de oportunidades fez com que abandonassem os bancos escolares para contribuir, desde cedo, com o sustento de suas famí­lias.

A sociedade brasileira deve, agora, resgatar essa dívida social!

Está em nossas mãos dar a chance para que estes brasileiros sintam esta alegria desbravada pela descoberta da leitura, pela possibilidade de ajudar seus filhos na escola, de conseguir um trabalho mais qualificado, enfim, de desfrutar a cidadania mais plenamente.

Através da alfabetização, a União dos Moradores tem formado agentes sociais multiplicadores capazes de interferir, organizar, sensibilizar e mobilizar a comunidade onde vivem, visando a solução dos problemas que as afligem em relação a saúde, melhorias no bairro, profissionalização, geração de renda, moradia, segurança e cultura.

Acreditamos que a luta contra o analfabetismo deve unir todo nosso Brasil (Governos, Empresas, Associações, Sindicatos, Entidades, ONG’s, etc.), por isso buscamos novos parceiros para erradicarmos essa mazela que há muito tempo castiga nosso povo.

Faça o download do projeto completo: Programa Escola do Povo 163KB [em pdf]