Paraisópolis forma 600 alunos de alfabetização no Jockey Club

A formatura de 600 alunos do curso de alfabetização da comunidade de Paraisópolis, no bairro do Morumbi, reuniu lideranças comunitárias, femininas, estudantis, políticas, empresariais e representantes de governo no Jockey Club de São Paulo, na última segunda-feira (9), num evento que coroou um esforço conjunto para erradicar o analfabetismo entre jovens e adultos.

“Foi uma luta”, resumiu a aluna Maria da Paixão que, às vésperas de completar 30 anos e com 5 filhos, nunca conseguiu tempo para os estudos. “Sempre tive vontade de aprender, mas a vida foi difícil e meus filhos aprenderam a ler antes de mim”, contou a aluna, que para frequentar o curso de alfabetização tinha que deixar “tudo pronto em casa para dar tempo”. O “tudo pronto”, explica Maria da Paixão, “é a comida dos filhos, a roupa lavada, passada, casa limpa, mercado feito”. E completa: “ Foi difícil, uma luta mesmo”.

“Com esses alunos a gente mais aprende do que ensina”, afirmou Jaidete Maria da Silva, uma das primeiras professoras do curso em Paraisópolis. “Aqui aprendemos lições de vida. São pessoas que enfrentam o peso da idade, o cansaço e muitas vezes até a fome pela determinação de aprender a ler e a escrever. É muito esforço, é uma vitória a cada dia. Tenho muito orgulho por eles”, disse a professora.

“A gente sofre muito sem saber ler. Não sabe assinar nome, não sabe comprar coisa no mercado, não pode pegar ônibus sozinho”, explicou Elzene Souza, de 46 anos, que acabou de ser alfabetizada. “A vida muda completamente”, comemorou.

“A maioria absoluta de nossos formandos são mulheres e, para cada uma dessas mulheres que hoje se forma, se abre a luz de um novo caminho. Ela se transforma num exemplo para seus filhos e netos, além de ficar em melhores condições de acesso ao trabalho, que é condição essencial para sua emancipação”, afirmou Ilda Fiori, 1ª secretária da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB) entidade que, em parceria com a União dos Moradores de Paraisópolis, governo e iniciativa privada, foi responsável por levar o curso de alfabetização aos moradores. “Para ocupar os postos de trabalho que se abrem com o PAC, é preciso que a mulher se capacite e se qualifique e, o primeiro passo, é a alfabetização”, destacou Ilda.

“Nosso objetivo é erradicar o analfabetismo de 15 mil pessoas. Isso é um sonho que veremos transformado em realidade”, afirmou Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, que luta para conseguir mais apoio do governo e da iniciativa privada para atingir a meta de zerar o anlfabetismo na segunda maior favela do Brasil.

Se depender da força de vontade dos moradores, o sonho de Gilson vai se realizar. “Quero ajudar mais gente a aprender a ler e a escrever. Eu tinha vergonha de não saber nem assinar meu nome, e hoje tenho muito orgulho quando me pedem para eu assinar alguma coisa. Faço bem caprichado”, conta Edson Floriano, que está se formando em alfabetização aos 24 anos de idade. “Tive uma vida puxada. Meu pai era doente e tive que trabalhar desde cedo para trazer o arroz e o feijão para casa. Mas agora que consegui aprender, vou ler o que você vai escrever no jornal”, disse sorrindo.

“Este ato é o coroamento de um esforço coletivo, de uma grande luta para alfabetizar os mais necessitados e para dar a eles a condição de cidadãos plenos perante a Pátria”, afirmou o professor Eduardo de Oliveira, presidente do CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro).

Estiveram presentes o presidente do Jockey Club, Márcio Toledo; a secretária Estadual da Educação, Maria Helena Guimarães, o superintendente da CEF, Augusto César; o secretário de organização do MR8, Miguel Manso; a apresentadora Carla Vilhena; o sub-prefeito de Campo Limpo, Luiz Santoro; o sub-prefeito de M´Boi Mirim, Cássio Loschiavo, entre outros.

Jornal Hora do Povo 11 de Junho


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