Favela de Paraisópolis cria programa de alfabetização

SÃO PAULO – Está sendo implantado, na favela de Paraisópolis, zona sul da Capital, o programa Escola do Povo que tem como meta levar, em três anos e meio, analfabetos aos bancos universitários. Mas, enquanto o projeto ainda começa, o desafio é levar a maioria dos 15 mil analfabetos da comunidade para as aulas de alfabetização.

Implantado há menos de um mês e sem qualquer apoio, o projeto já tem 890 alunos, divididos em 48 turmas. Todos chamados de porta em porta, no método de publicidade mais antigo que existe: o boca a boca.

- Queremos erradicar o analfabetismo em Paraisópolis. A meta, nessa fase, é chegar a 150 turmas – afirma o coordenador do programa, Gilson Rodrigues, de 22 anos.

Qualquer aluno é aceito, desde que tenha mais de 15 anos. As aulas são dadas em qualquer lugar onde caiba uma lousa e algumas cadeiras. Vale a garagem, salão de igreja e entidades e o bar do pai… Exato, até um bar servirá de espaço para alfabetizar parte dos 80 mil moradores da segunda maior favela da capital.

Essa é a idéia da voluntária Cristina Nascimento Silva, de 24 anos. Hoje, ela tem 60 alunos, divididos em três turmas de 20, e os alfabetiza em uma sala parcialmente coberta no fundo do quintal.

- Estamos levantando paredes. Toda vez que chove, entra água. Quando meu pai desocupar o bar, combinamos montar uma sala de aula no espaço – afirma.

Ela dedica-se ao ensino desde os 20 anos e, com tantos alunos, terá de dividir os estudantes com outros voluntários.

A meta é concluir a alfabetização em seis meses. Depois, levar três anos para ensinar o programa até o ensino médio. Há possibilidade de um acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie para dar bolsas de estudos a quem passar no vestibular.

Segundo Rodrigues, cada aluno custa R$ 1 por dia (R$ 180 por semestre). Portanto, uma turma com 20 alunos custa R$ 3,6 mil por semestre. Com esse cálculo, ele busca parceiros. Para quem quiser adotar uma turma, o site é www.escoladopovo.org.br e o telefone, 3743-3204.

Reportagem do site O Globo Online e que saiu na versão impressa do Diário de São Paulo de 24/03/2007



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