Anafalbetismo fica quase estável no país
- 18 set 2009, 21:43
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De 2007 para 2008, o analfabetismo caiu de 10,1% para 10% entre os brasileiros. O país ainda tem 14 milhões de analfabetos. A redução foi maior no Nordeste, com quase o dobro da média do país.
A pesquisa do IBGE mostrou ainda que a queda no analfabetismo foi muito discreta. Veja na reportagem de Alan Severiano.
Um convite para recuperar o tempo perdido e fazer um curso de alfabetização. “Ler e escrever ajuda a gente, não precisa depender dos outros”, disse a babá Eulália de Jesus.
De 2007 para 2008, o analfabetismo caiu de 10,1% para 10% entre os brasileiros. O país ainda tem 14 milhões de analfabetos.
“Teve momento que reduzimos 0,7%, 0,4% esse ano foi 0,1%. Um soluço indesejável, mas no ritmo da série histórica nós cumpriremos as metas de Dakar de reduzir em 50% até 2015 a taxa de analfabetismo no Brasil”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
A redução foi mais significativa na região Nordeste, que tem quase o dobro da média do país. As pessoas que sabem ler e escrever, mas têm dificuldade de compreender textos, os analfabetos funcionais ainda passam de 20% da população. A porcentagem de crianças na escola subiu e a média de anos de estudo aumentou de 6,9 para 7,1 anos.
Enquanto a educação melhora lentamente, o mercado de trabalho acelera o ritmo de contratações de quem tem mais anos de estudo. O descompasso entre a mão de obra e o perfil das vagas se traduz em menos oportunidade para muita gente: 41% das vagas são ocupadas por pessoas que estudaram mais de 11 anos.
Quem ficou menos tempo na escola, como Maria Gilda da Silva, se surpreende com as exigências. “Para lavar prato você precisa fazer matemática? Não, né?”, questiona ela.
Mesmo quem aceita ganhar pouco nem sempre consegue uma vaga: “Elas provavelmente vão ficar fora do mercado, e aí buscar outras alternativas pra sobreviver, como mercado informal, vão ser camelôs ou qualquer outra atividade que não exija a escolaridade”, explica o gerente do Centro de Apoio ao Trabalho da Prefeitura de SP, Nelson Miguel Jr.
A educadora da USP, Stela Piconez, diz que a situação só vai mudar se os cursos para adultos tiverem mais tempo e mais qualidade.
“Se ele não tiver uma fundamentação forte, que ele poderia ter adquirido nos anos de escolaridade, ele dificilmente saberá lidar com as demandas do mercado de trabalho”, declarou a educadora.
Severino e Edileuza não passaram da quarta série, estão desempregados e tentam evitar um futuro igual para os três filhos.
“Por isso digo para os meus filhos. Vai estudar, quando chega em casa não acabou o estudo, brinca um pouco para sempre estudar, né?”, disse Severino.
Do Site do Jornal Nacional 18/09/2009
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