AMP realiza caminhada em comemoração ao Dia Internacional da Mulher
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Esse é um direito fundamental, previsto na Constituição, que hoje é desrespeitado.
Não existem vagas suficientes para as crianças pequenas nas creches públicas do país. Quem precisa trabalhar e não tem com quem deixar os filhos, simplesmente não tem opção. Esse é um direito fundamental, previsto na Constituição, que hoje é desrespeitado.
Criança pequena precisa de atenção o tempo todo. Quando os pais têm que trabalhar, a creche é uma solução. Mas duas mães não conseguem sair da fila de espera. Elas moram na segunda maior favela de São Paulo. A doméstica Cláudia Nascimento de Sena aguarda há um ano por uma vaga para Guilherme. Para Mateus, ela nem fez a inscrição.
“Fica difícil, porque precisa trabalhar para poder ter alimentação para as crianças, comprar roupas, essas coisas. É remédio quando criança precisa”, aponta Cláudia Nascimento de Sena.
A doméstica Naldeir Mendes de Melo também precisa trabalhar. O difícil é saber com quem deixar a filha de 3 anos: “Está devagar, não está tendo vaga. Mas a gente vai correr atrás”.
O bairro de Paraisópolis, em São Paulo, tem a população de uma cidade, são cem mil habitantes. Há três creches — uma é municipal e duas têm convênio com a prefeitura. Atendem no total, 1,2 mil crianças. Mas, segundo o último levantamento da Associação de Moradores, outras cinco mil crianças precisam de vagas e não conseguem.
“A nossa ideia é que precisamos de mais cinco creches para garantir que pelo menos parte da população que está sem vaga dentro de Paraisópolis possa ser atendida”, calcula o presidente da União dos Moradores/Paraisópolis Gilson Rodrigues.
Na cidade de São Paulo, os números são muito maiores: 50 mil crianças aguardam na fila. A falta de vagas em creches atinge o país todo. No Rio de Janeiro, 30.189 crianças estão matriculadas. Outras 100 mil estão à espera. Em Belo Horizonte, 60 mil crianças são atendidas e 7,7 mil ainda estão na fila. Belém conta com 11 mil vagas. Outras 2 mil não têm com quem ficar.
Mesmo assim, o censo escolar de educação básica do Inep mostra que a oferta de vagas nas creches cresceu 8,3% no Brasil, em 2009. Movimentos de defesa da educação calculam que seria necessário criar, pelo menos, 10 milhões de vagas para acabar com o problema.
“É necessário que as autoridades realizem um planejamento, coloquem educação na sua agenda política e transformem com uma política de estado. A população deve cobrar, para que o problema da falta e educação infantil não seja esse caos que é nacionalmente”, defende a promotora da Infância e Juventude/SP Laila Shukair.
Segundo a prefeitura de São Paulo, na favela de Paraisópolis há cinco creches e não três. Mas o número de crianças atendidas é menor pelo levantamento da prefeitura: 700. A fila de espera ali, ainda de acordo com a prefeitura, atualmente tem 1.348 crianças cadastradas.
O Plano Nacional de Educação prevê que, até 2011, pelo menos metade das crianças de zero a 3 anos estejam em creches. Para isso, o Brasil precisaria criar 4,2 milhões de vagas.
Do site do Bom dia Brasil
De 2007 para 2008, o analfabetismo caiu de 10,1% para 10% entre os brasileiros. O país ainda tem 14 milhões de analfabetos. A redução foi maior no Nordeste, com quase o dobro da média do país.
A pesquisa do IBGE mostrou ainda que a queda no analfabetismo foi muito discreta. Veja na reportagem de Alan Severiano.
Um convite para recuperar o tempo perdido e fazer um curso de alfabetização. “Ler e escrever ajuda a gente, não precisa depender dos outros”, disse a babá Eulália de Jesus.
De 2007 para 2008, o analfabetismo caiu de 10,1% para 10% entre os brasileiros. O país ainda tem 14 milhões de analfabetos.
“Teve momento que reduzimos 0,7%, 0,4% esse ano foi 0,1%. Um soluço indesejável, mas no ritmo da série histórica nós cumpriremos as metas de Dakar de reduzir em 50% até 2015 a taxa de analfabetismo no Brasil”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
A redução foi mais significativa na região Nordeste, que tem quase o dobro da média do país. As pessoas que sabem ler e escrever, mas têm dificuldade de compreender textos, os analfabetos funcionais ainda passam de 20% da população. A porcentagem de crianças na escola subiu e a média de anos de estudo aumentou de 6,9 para 7,1 anos.
Enquanto a educação melhora lentamente, o mercado de trabalho acelera o ritmo de contratações de quem tem mais anos de estudo. O descompasso entre a mão de obra e o perfil das vagas se traduz em menos oportunidade para muita gente: 41% das vagas são ocupadas por pessoas que estudaram mais de 11 anos.
Quem ficou menos tempo na escola, como Maria Gilda da Silva, se surpreende com as exigências. “Para lavar prato você precisa fazer matemática? Não, né?”, questiona ela.
Mesmo quem aceita ganhar pouco nem sempre consegue uma vaga: “Elas provavelmente vão ficar fora do mercado, e aí buscar outras alternativas pra sobreviver, como mercado informal, vão ser camelôs ou qualquer outra atividade que não exija a escolaridade”, explica o gerente do Centro de Apoio ao Trabalho da Prefeitura de SP, Nelson Miguel Jr.
A educadora da USP, Stela Piconez, diz que a situação só vai mudar se os cursos para adultos tiverem mais tempo e mais qualidade.
“Se ele não tiver uma fundamentação forte, que ele poderia ter adquirido nos anos de escolaridade, ele dificilmente saberá lidar com as demandas do mercado de trabalho”, declarou a educadora.
Severino e Edileuza não passaram da quarta série, estão desempregados e tentam evitar um futuro igual para os três filhos.
“Por isso digo para os meus filhos. Vai estudar, quando chega em casa não acabou o estudo, brinca um pouco para sempre estudar, né?”, disse Severino.
Do Site do Jornal Nacional 18/09/2009
Voluntários viram Papai Noel na época de Natal em 24/12/2008
Um hábito que faz bem pra todo mundo. Ganhar presente é muito bom – e dar é melhor ainda. Veja na reportagem de Graziela Azevedo.
Que Natal teria quem perdeu tudo com a chuva?“Não vai existir Natal este ano pra minha família”, lamenta a mulher. dona de casa Lucélia Maria da Silva.
Mas as lágrimas vão secando porque alguém se lembrou de ajudar. Na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, uma fila se forma a espera das doações ninguém sabe o que virá, mas cada um tem um desejo.
“Um carrinho”, diz um menino.
“A gente espera que acabe a violência”, pede um morador de Paraisópolis.
Esse seria o melhor presente?
“Seria o melhor presente pra mim, acho que pra todos os pais e todas as mães do mundo”, diz.
Os presentes que chegam são cestas bonitas doadas e trazidas por voluntários. Vão enchendo braços que estavam vazios e desenhando sorriso no rosto que chorou.
“Já é alguma coisa pra recomeçar”, diz Lucélia.
As cestas de Natal vão acabando, e as básicas vão chegando – presentes que alimentam e alegram.
Depois de cada sorriso de felicidade basta olhar em volta para ver como é grande a necessidade. Há carência de comida, de brinquedos, de um abraço, de um gesto.
Alunos da rede pública de ensino participam da terceira Mostra Cultural de Paraisópolis.
As crianças também aprendem a fazer arte com materiais recicláveis e a importância para o meio ambiente. É preciso relaxar. Se preparar. Aquecer a voz.
“Este é o nosso primeiro momento, não só para a apresentação que teremos hoje, mas diariamente quando nós nos encontramos para cantar, nós fazemos alongamento, aquecimento vocal”, diz Kenia Muraoka, preparadora vocal.
Como artistas de verdade eles querem estar perfeitos na apresentação. Claro, às vezes é difícil esconder o nervosismo. Ainda mais quando se pisa pela primeira vez num palco, mas a alegria de estar aqui supera qualquer dificuldade.
“A gente é como se fosse uma família, me sinto muito a vontade com eles, muito feliz”, diz Aline Oliveira Santos, 11 anos.
Grande parte desses alunos nunca viu um espetáculo de música, dança ou uma peça de teatro e agora têm a oportunidade não só de assistir, mas de fazer arte.
Hoje no palco improvisado na quadra da escola essas crianças e jovens viveram um dia muito especial. Afinal não é qualquer um que levanta uma platéia apenas com pneus usados, tambores de plástico e latinhas nas mãos.
Desde o inicio do ano os alunos de escolas publicas de Paraisópolis participam de oficinas de dança e musica e aprendem como materiais que iriam para o lixo podem se transformar em arte. A prova esta no palco e na exposição com os trabalhos feitos durante o ano.
“Essa mostra nos oportuniza levar as crianças a se envolver tanto com os aspectos culturais quanto com os educacionais e mostrar todos os seus potenciais de educação, de aprendizagem”, afirma Marlene Santos, organizadora da mostra.
Das ruas estreitas da segunda maior favela de São Paulo pode sair um grande talento, ou não. O importante é que hoje todos eles se sentiram estrelas de verdade. Matéria | Vídeo


