Archive for março, 2007
Favela de Paraisópolis cria programa de alfabetização
Diário de S. Paulo
SÃO PAULO - Está sendo implantado, na favela de Paraisópolis, zona sul da Capital, o programa Escola do Povo que tem como meta levar, em três anos e meio, analfabetos aos bancos universitários. Mas, enquanto o projeto ainda começa, o desafio é levar a maioria dos 15 mil analfabetos da comunidade para as aulas de alfabetização.
Implantado há menos de um mês e sem qualquer apoio, o projeto já tem 890 alunos, divididos em 48 turmas. Todos chamados de porta em porta, no método de publicidade mais antigo que existe: o boca a boca.
- Queremos erradicar o analfabetismo em Paraisópolis. A meta, nessa fase, é chegar a 150 turmas - afirma o coordenador do programa, Gilson Rodrigues, de 22 anos.
Qualquer aluno é aceito, desde que tenha mais de 15 anos. As aulas são dadas em qualquer lugar onde caiba uma lousa e algumas cadeiras. Vale a garagem, salão de igreja e entidades e o bar do pai… Exato, até um bar servirá de espaço para alfabetizar parte dos 80 mil moradores da segunda maior favela da capital.
Essa é a idéia da voluntária Cristina Nascimento Silva, de 24 anos. Hoje, ela tem 60 alunos, divididos em três turmas de 20, e os alfabetiza em uma sala parcialmente coberta no fundo do quintal.
- Estamos levantando paredes. Toda vez que chove, entra água. Quando meu pai desocupar o bar, combinamos montar uma sala de aula no espaço - afirma.
Ela dedica-se ao ensino desde os 20 anos e, com tantos alunos, terá de dividir os estudantes com outros voluntários.
A meta é concluir a alfabetização em seis meses. Depois, levar três anos para ensinar o programa até o ensino médio. Há possibilidade de um acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie para dar bolsas de estudos a quem passar no vestibular. Segundo Rodrigues, cada aluno custa R$ 1 por dia (R$ 180 por semestre). Portanto, uma turma com 20 alunos custa R$ 3,6 mil por semestre. Com esse cálculo, ele busca parceiros. Para quem quiser adotar uma turma, o site é www.escoladopovo.org e o telefone, (11) 3743-3204.
reportagem do site O Globo Online e que saiu na versão impressa do Diário de São Paulo de 24/03/2007
Paraisópolis é exemplo de cidadania
Paraisópolis é exemplo de cidadania
O Programa Escola do Povo, projeto social desenvolvido pela União dos Moradores de Paraisópolis, visa erradicar o analfabetismo entre a comunidade, servindo como exemplo de cidadania para outras regiões carentes de São Paulo.
Paraisóplis, segunda maior favela de São Paulo e a quinta do Brasil, tem cerca de 80 mil habitantes e 15 mil analfabetos. É a primeira favela do Brasil a erradicar o analfabetismo.
A União dos Moradores, que atua com alfabetização de adultos desde 2003, em novembro de 2006 recebeu o prêmio da revista Dolce Vita na categoria “Ação em Educação & Culturaâ€. Esta revista identifica e reconhece através de um troféu as ações que promovem a diminuição da desigualdade social e a busca por melhores condições de vida.Oportunidade
Segundo o coordenador do projeto, Gilson da Cruz Rodrigues, além do aumento da aprendizagem, o programa proporcionará melhoria na qualidade de vida dos participantes, jovens e adultos na faixa de 15 a 75 anos, que nunca foram à escola por falta de oportunidade.
“Está em nossas mãos dar chance para que essas pessoas sintam a alegria da descoberta de uma nova etapa em suas vidasâ€, afirma.
A presidente da Associação de Mulheres de Paraisópolis e educadora, Juliana Gonçalves, diz que é gratificante para os alfabetizadores compartilharem juntamente com os alunos a alegria que eles sentem na descoberta da leitura e a possibilidade de através do estudo, conseguir um trabalho mais qualificado e ajudar a famÃlia.
“Toda a comunidade está mobilizada e, juntos, conseguiremos seguir em frente com o projetoâ€, ressalta.Lançamento do Programa
O lançamento do Programa “Escola do Povo†aconteceu no dia 2 de fevereiro, no auditório do Hospital Israelita Albert Einstein, no bairro do Morumbi. O projeto vem sendo acompanhado pela mÃdia, com reportagens no Jornal Bom Dia Brasil, SP Record, Antena Paulista e Rede TV tendo como padrinho o jornalista da Rede Globo, Chico Pinheiro.
Oziete TrindadeContrastes
Entre os paredões mais luxuosos do Brasil, ParaiÂsópolis evidencia os contrastes e contraÂdiÂções da sociedade, mostrando as grandes diferenças sociais que existem na cidade e no PaÃs. Os moradores enfrentam uma superposição de problemas sociais, tais como desemÂprego, violência e gravidez na adolescência, devido à s poucas oportunidades educacionais. Isso significa, acima de tudo, que milhares de pessoas convivem com limitações que dificultam o seu desenvolvimento, sua vida e o bem-estar de suas famÃlias.
Parcerias
Várias parcerias foram fechadas para que o projeto torna-se realidade. Serão contratados cerca de 600 alfabetizadores, moradores da comunidade, que darão aulas para os jovens e adultos analfabetos de Paraisópolis. Os parceiros iniciais são o Rotaract Campo Limpo, Rotary Campo Limpo, Confederação das Mulheres do Brasil, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ministério da Educação, Associação Cultural e Cidadania Panamby, UMES – União Municipal dos Estudantes SecunÂdaristas, Federação de Mulheres Paulistas, Revista Dolce Vita, Instituto Trabalho Dante Pellacani, Espaço Jovem, Associação das Mulheres de ParaiÂsópolis e Sabesp.
Matéria Veiculada na Tribuna de Santo Amaro 23/03
Museu da Língua Portuguesa faz um ano
Veja o vÃdeo da reportagem aqui.
Dia de festa para a LÃngua Portuguesa. O museu dedicado à lÃngua, na Estação da Luz, completa hoje um ano e já é o mais visitado do Brasil.
Nesse tempo, o Museu da LÃngua Portuguesa recebeu mais de 580 mil pessoas.Para comemorar a data, o museu, que normalmente fecha à s 18 horas, mas hoje estará aberto até à s 22 horas. A entrada hoje é gratuita.
Ao longo do dia, estão programadas visitas monitoradas no museu e no restante da Estação da Luz.
Um grupo de visitantes muito especial, conheceu o Museu da LÃngua Portuguesa, na manhã desta quarta-feira.
Manuel, Belmiro, Anselmo, OlÃmpio, Paulo, Paulo Felipe, Maria Sebastiana, Damiana, Maria Aparecia e Marielza. Todos foram passear hoje.
Pouco tempo atrás, o passeio de hoje seria indecifrável pra todos eles.
A visita ao museu da lÃngua portuguesa foi um convite do SPTV aos alunos do projeto de alfabetização Escola do Povo, da comunidade de Paraisópolis.
O esforço desses trabalhadores pra aprender a ler foi notÃcia no SPTV Comunidade da última terça-feira.
Hoje a notÃcia é o aniversário do Museu da LÃngua Portuguesa. Um ano de idade e uma longa história pela frente.
Tudo é uma grande novidade, quase um ritual. Do ingresso na entrada às muitas frases que lá dentro esperam por todos eles.
No escuro do beco das palavras, o conhecimento é claridade. Significados que eles já entendiam há muito tempo e muitos outros que eles descobriram agora.
Foi só um passeio, mas também foi uma forma de descobrir o mundo.
“Eu não sabia nada, eu perguntava pras pessoas, não entendia, nada, hoje eu sei o tanto que elas representa. Entendi o que isso quer dizerâ€, diz um deles.
O Museu da LÃngua Portuguesa é uma parceria da Fundação Roberto Marinho e da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
Ele fica na Estação da Luz, funciona de terça a domingo, e hoje, aniversário de um ano, fica aberto até as dez da noite, com entrada de graça.
Aos sábados também ninguém paga nada pra entrar, e nos outros dias o ingresso custa R$4.
reportagem disponÃvel no site do SPTV.
Paraisópolis quer educação para adultos
Veja o vídeo da reportagem aqui.
O SPTV Comunidade mostra a iniciativa de voluntários que querem acabar com o analfabetismo numa das maiores favelas da capital, mas não têm ajuda para isso.
O fiscal do povo, Márcio Canuto, foi até Paraisópolis e acompanhou alunos que depois de um dia inteiro de trabalho vão até uma sala de aula para aprender.
Em Paraisópolis, favela que tem 80 mil habitantes, 15 mil são analfabetos ou semi-analfabetos. Fato que a união dos moradores quer acabar.
“Eu quero ir mais pra frente nos estudos, aprender mais, cada dia mais”, diz Olímpio de Barros, aluno.
“Você vai no mercado, fazer as compras, e não precisa mais de ninguém pra falar o preço”, alegra-se José Ferreira da Silva, pedreiro.
“São pessoas que não tiveram uma oportunidade, eu moro na comunidade, sei da realidade deles, então a gente interage bastante e é muito gratificante”, conta Juliana Gonçalves dos Santos, professora voluntária.
“Eu resolvi estudar porque eu tinha dificuldade pra arrumar serviço”, afirma Maria Aparecida Gomes, empregada doméstica.
“Hoje, em sala de aula, nós temos cerca de 880 alunos. A meta, para este semestre é três mil alunos. Nós vamos conseguir com a mobilização de toda comunidade”, diz Gilson Rodrigues, coordenador da Escola do Povo.
“Quem financia são ONGs, são empresas, o que é muito irrisório o valor, comparado com o que nós precisamos aqui em Paraisópolis”, diz Bruno Pereira, voluntário.
As aulas acontecem em todos os lugares da região, inclusive na sede da associação dos moradores.
No salão da pequena igreja do bairro também tem aula. “Primeiramente, pedir a Deus fé, para que levemos a sério o que estamos fazendo, porque é muito importante para nós e para o Brasil inteiro”, pensa José Brandão Ferreira, faxineiro.
Tem aula até mesmo na casa das professoras voluntárias, como a dona Marleide, que transformou sua sala de estar em uma sala de estudos.
“É um processo de legalização, de concessão de espaço público. Esse processo precisa realmente ser respeitado e formalizado pela secretaria de educação. Existe todo o interesse da secretaria de educação em ajudar. Boa vontade do dirigente não vai faltar e boa vontade da secretaria de educação não vai faltar”, garante Hirney[Hermany] de Souza Roberto, dirigente da Secretaria Estadual de Educação.
Um dos coordenadores da escola do povo, o Gilson Rodrigues, já protocolou os pedidos oficialmente, na secretaria estadual de educação.
Ele disse que a secretaria pediu um prazo de 15 dias para dar a resposta.
reportagem disponível no site do SPTV
Paraisópolis cria a Escola do Povo na batalha contra o analfabetismo
Entidades como a CGTB, UMES, CNAB, CMB, ITDP e moradores se unem determinados a vencer o analfabetismo numa das maiores favelas do Brasil. Com 80 mil moradores, Paraisópolis tem cerca de 15 mil analfabetos
Moradores da comunidade, comerciantes, empresas e entidades aceitaram o desafio de enfrentar e erradicar o analfabetismo numa das maiores favelas do Brasil e a segunda maior de São Paulo: Paraisópolis, onde vivem cerca de 80 mil habitantes, a maioria abaixo da linha da pobreza, e que convive com o Ãndice de 15 mil analfabetos ou semi-analfabetos. “Quando a professora foi na minha casa para me convidar, eu não queria vir, achei que já tinha passado da idade de aprender coisa nova, que era difÃcil demais. Mas está sendo ótimo. Agora que estou conseguindo escrever meu nome, entendi que nunca é tarde para aprenderâ€, conta a aluna Francisca da Silva Correa, mãe de quatro filhos, da primeira turma de alunos da Escola do Povo.
Inaugurado este ano, o projeto Escola do Povo é desenvolvido pela União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis em parceria com o Programa Brasil Alfabetizado, a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo), CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro), CMB (Confederação das Mulheres do Brasil) e ITDP (Instituto do Trabalho Dante Pellacani). O sucesso do projeto garante também o apoio de lideranças comerciais e empresariais da região e do jornalista Chico Pinheiro, escolhido como patrono da Escola do Povo pelo trabalho que desenvolve entre moradores carentes da região de Paraisópolis. (mais…)
Programa Escola do Povo
O Programa Escola do Povo visa erradicar o analfabetismo em Paraisópolis. Esse projeto é um piloto e servirá de exemplo para erradicação do analfabetismo em várias comunidades da cidade São Paulo. Paraisópolis tem 80 mil habitantes e destes 15 mil são analfabetos ou semi-analfabetos. Isso significa, acima de tudo, que milhares de pessoas convivem com limitações que dificultam o seu desenvolvimento, sua vida e o bem-estar de suas famílias. Estes brasileiros são trabalhadores que não deixam de lutar. A falta de oportunidades fez com que abandonassem os bancos escolares para contribuir, desde cedo, com o sustento de suas famílias.
A sociedade brasileira deve, agora, resgatar essa dívida social!
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